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A CRIANÇA INTERIOR

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A Criança Interior é uma parte fundamental e eterna que habita todo adulto, representando um aspecto de personalidade que permanece em constante formação e que nunca estará completamente finalizado. Segundo Jung, essa criança exige cuidado contínuo, atenção e educação para que possa desenvolver-se plenamente, alcançando a totalidade da psique. Ela é vista como um arquétipo que reflete a essência profunda do ser humano, carregando dentro de si tanto as qualidades mais puras quanto as feridas emocionais adquiridas ao longo da infância.

Chamamos essa Criança Interior de muitas formas: criança mágica, inocente, divina, ferida, maravilhosa, verdadeiro Eu, Eu real ou Essência. Todas essas denominações tentam capturar seu significado e sua complexidade. Ao compreendê-la, confirmamos que ela é uma parte integrante de nós — um aspecto de nossa alma que influencia diretamente nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos ao longo da vida.

Embora Freud tenha sido o primeiro a fundamentar o conceito, associando a Criança Interior à mente inconsciente e às memórias que influenciam nossa vida adulta, foi Jung quem a definiu mais amplamente como o arquétipo da Criança Divina. Para ele, ela representa a expressão da essência sincera da psique, conectada a qualidades como criatividade, espontaneidade, inocência, alegria e entusiasmo — um aspecto que deseja crescer e se expandir constantemente. No entanto, essa criança também guarda traumas e feridas emocionais, resultantes das experiências difíceis vividas na infância. Essas lembranças nem sempre conscientes permanecem vivas dentro de nós, moldando muitas vezes nossas escolhas, opiniões e formas de agir na idade adulta.

Do ponto de vista da Psicologia Transpessoal, especialmente na abordagem integrativa defendida pela ALUBRAT (Associação Luso-Brasileira Transpessoal), a Criança Interior está relacionada a um aspecto da Essência Divina ou Eu Superior. Essa conexão profunda é a fonte da nossa capacidade de amar, criar e manter a consciência desperta mesmo diante das dores, medos e conflitos que enfrentamos diariamente. Essa visão espiritual reforça que, apesar das feridas emocionais, existe dentro de nós uma Criança Divina que pode renascer, sustentada pela força do Absoluto, ajudando-nos a transformar sofrimento em confiança e aprendizagem.

O Eneagrama, sistema de sabedoria que descreve nove tipos diferentes de personalidade, também atribui à Criança Interior uma importância central. Segundo ele, nossa essência divina é alegre, fluida, pura, inocente e sábia, mas pode ser profundamente ferida durante a gestação ou infância — resultando na presença da Criança Ferida. Essa ferida emocional cria um distanciamento interno, desconectando a personalidade adulta dessa essência genuína. O Eneagrama propõe um caminho de retorno, onde a reconciliação com a Criança Ferida possibilita a reconexão com a Criança feliz e divina. Esse processo consiste em mergulhar nas memórias, considerar as dores e acolher a própria história, incluindo familiares e ancestralidade. Assim, integra-se aquilo que estava separado: luz e sombra, essência e personalidade, criança e adulto.

O cuidado e a cura da Criança Interior são tarefas que pertencem exclusivamente a nós mesmos. É por meio do autoconhecimento e do amor-próprio que podemos considerar nosso valor, fortalecer a autoestima, aumentar a confiança e buscar a proteção interna. Ao fazer isso, liberamos os outros da responsabilidade de validar nossa existência e diminuímos o impacto das dores ligadas a uma sensação de falta de amor, insegurança, incapacidade ou desvalorização — sentimentos comuns que têm raízes nas feridas da infância.

Como afirma Andreas Ebert, “cada um dos nove tipos é uma solução provisória, uma estratégia de sobrevivência no mundo perigoso e hostil”, e todos carregam marcas, carências e feridas a serem curadas.

Em uma perspectiva espiritual mais ampla, a Criança Interior representa a essência autêntica do ser humano — aquela parte que conserva a espontaneidade, a criatividade e a alegria, além da conexão com o sagrado que existia antes dos condicionamentos sociais. Ela é um aspecto da consciência que permanece vivo dentro de cada adulto, trazendo a capacidade de maravilhamento, curiosidade e estado de presença, mesmo carregando as emoções do passado.

Assim, a Criança Interior revela-se um convite constante ao cuidado, à cura e à integração das nossas múltiplas dimensões, possibilitando que o adulto desperto viva em harmonia consigo mesmo, irradiando uma plenitude que emerge da união entre a inocência da criança e a sabedoria do adulto.

Telma Insuela

Sugestões de leitura:

  • A Volta ao Lar. Como resgatar e defender sua criança interior - John Bradshaw

  • O Reencontro Da Criança Interior - Jeremiah Abrams

  • O perdão à Criança Interior – Neves Batista

  • Curando A Sua Criança Interior - Charles L. Whitfield

  • Curando Sua Criança Interior – Tatiane Guedes

Filmes relacionados ao tema:

  • Duas Vidas (Duas Vidas) – Explora as feridas da criança interna e a ressignificação da história pessoal.

  • À Procura da Terra do Nunca – Filme que retrata a infância e a fantasia real como expressão da criança interior.

  • Luca (2021) – Mostra a busca da criança interior em superar medos e seguir os sonhos.

  • Frozen 2 – A jornada de autoconhecimento de Elsa em busca da sua essência e da criança interior.

  • O Projeto Adam – Um piloto do futuro encontra seu eu mais jovem para enfrentar traumas e promover a cura da criança interna.

  • Divertida Mente (Inside Out) (2015) – Explora as emoções da infância e como a criança interior molda a vida adulta.

  • Matilda (1996) – Conta a história de uma criança superdotada que encontra acolhimento e aprende a sonhar apesar das dificuldades.

  • Boyhood (2014) – Acompanha 12 anos da vida de um garoto, refletindo sobre crescimento, dúvidas e a descoberta da identidade.

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